Como usar este manual
Isto é um manual de consulta, não é para ler de uma vez. O treino a sério faz-se no caderno de papel; aqui lê-se, confere-se e fazem-se autotestes.
- Ordem sugerida: 1 → 2 → 3 → 4 → 5 → 6. A 7 (oficina) usa-se em paralelo, quando quiseres treinar; a 8 é o autoteste geral; a 9 (determinantes) é para a matéria nova da ficha (ex. 21–44).
- Cada secção é uma página deste manual: anda-se com as abas da barra de cima (ou com o ◀ / ▶ no fim de cada secção). O endereço guarda a secção aberta (
manual_alga.html#s5), por isso os links das notas continuam a funcionar. - Em cada secção: receita → exemplo → ⚠️ erros a evitar → autoteste (a pergunta está à vista; clica em «Ver resposta»).
- 🔎 procurar (barra de cima): procura em todo o manual — perguntas, receitas e caixas de aviso — e salta para o sítio exato (Enter abre o 1.º resultado).
- 🙈 respostas fechadas: fecha tudo de uma vez (modo treino, sem tentações); 👁 abrir todas / ⌄ fechar todas fazem-no à secção aberta.
- ✅ já treinei esta secção: marca o progresso (fica guardado no browser, só neste computador) e aparece um ✓ na aba respetiva.
- Na oficina (7): faz no papel primeiro; a solução abre em «Ver solução passo a passo». Os exercícios 🎯 são da FICHA1 (que também tem as soluções, entre parênteses).
Índice — clica numa secção para abrir
🗺️ Mapa de treino: que exercício da FICHA1 treina cada secção
- ex. 1, 6, 8 → secção 1 (tipos, simétrica, antissimétrica) — o 6 e o 8 resolvidos na oficina (grupo C);
- ex. 2, 3, 4, 5, 7 → secção 2 (operações, multiplicação com letras, potências) — o 4 e o 5.1 na oficina (grupos A e B);
- ex. 11 → secção 3 (igualdade → equações);
- ex. 9, 10, 12, 15 → secção 4 (inversa pela definição) — o 15 guiado na secção; o 10 e o 12.1 na oficina (grupo D);
- ex. 13 → secção 5 (condensação) — o 13.1 e o 13.2 passo a passo na oficina (grupo E);
- ex. 14 → secção 6 (equações matriciais — resolvido lá dos dois jeitos);
- ex. 16 e 17 → oficina, grupos F e G (equações matriciais passo a passo);
- ex. 18–20 → característica — ainda não está neste manual; se já deram isto na aula, diz-me que eu acrescento!
- ex. 21–44 → secção 9 (determinantes) — a ficha nova vai até ao 44; cálculo (21–27), propriedades (28–35, 39–43) e inversa pela adjunta (37, 43.4).
Ficheiros da pasta: Slides PDF · FICHA1 PDF (nova, 1–44) · Tarefa 1 PDF · Visualizador de multiplicação · ESTUDO.md (plano)
1) Conceitos base (o essencial)
Tipo de uma matriz
Uma matriz é uma tabela de números. O tipo escreve-se m×n:
m= número de linhas (vem sempre primeiro);n= número de colunas.
A entrada na posição (i, j) está na linha i e na coluna j. Na matriz acima, a entrada (2, 1) é 4.
Nota de notação: aqui usamos sempre o formato normal (linhas e colunas, entre parênteses retos grandes). Nas mensagens do chat pode aparecer a forma compacta [[1, 5], [5, 7]] — é a mesma coisa: cada par […] é uma linha.
Igualdade de matrizes
A = B quando as duas matrizes têm o mesmo tipo e todas as entradas homólogas iguais (mesma posição, mesmo valor). Isto vai ser usado na secção 3.
Os tipos de matrizes (os nomes que a professora usa)
- linha — uma só linha (
1×n); coluna — uma só coluna (m×1); - quadrada — mesmo número de linhas e colunas (
n×n); as entradas a₁₁…aₙₙ formam a diagonal principal; - triangular superior — zeros abaixo da diagonal principal; triangular inferior — zeros acima;
- diagonal — zeros fora da diagonal; escalar — diagonal com todas as entradas iguais; identidade Iₙ — diagonal toda a 1s (o caso que mais usamos);
- nula 0ₘₓₙ — todas as entradas são 0.
Os três objetos que confundia — em 30 segundos cada
a) Matriz identidade Iₙ — quadrada, com 1 na diagonal principal e 0 em todo o resto:
1 0 0 0 1 0 0 0 1
A coluna 3 de I₃ é (0, 0, 1) — não é (0,0,0) nem (1,0,0). A entrada (i, j) de Iₙ é 1 quando i = j e 0 quando i ≠ j.
| 1 | 0 | 0 |
| 0 | 1 | 0 |
| 0 | 0 | 1 |
b) Traço tr(A) — só para matrizes quadradas: é a soma da diagonal principal.
1 2 3 4
tr(A) = 1 + 4 = 5.
tr(A + B) = tr(A) + tr(B)tr(αA) = α·tr(A)tr(AB) = tr(BA)tr(Aᵀ) = tr(A)
c) Transposta Aᵀ — trocam-se ordenadamente as linhas pelas colunas. Se A é m×n, então Aᵀ é n×m.
1 2 3 4
1 3 2 4
(Aᵀ)ᵀ = A(A ± B)ᵀ = Aᵀ ± Bᵀ(αA)ᵀ = α·Aᵀ- ⚠️
(AB)ᵀ = BᵀAᵀ— troca a ordem!
Uma matriz quadrada diz-se simétrica se A = Aᵀ (entradas "espelhadas" iguais) e antissimétrica se A = −Aᵀ (a diagonal fica toda a zeros):
1 5 5 7
0 −1 −2 1 0 −3 2 3 0
1. Que tipo tem esta matriz?
1 2 3 4 5 6 7 8 9
Ver resposta
2. Quanto é o traço desta matriz?
2 1 1 3
Ver resposta
3. Se A é 3×4, que tipo tem Aᵀ?
Ver resposta
4. Que valores têm as entradas (1,1) e (2,3) de I₃?
| 1 | 0 | 0 |
| 0 | 1 | 0 |
| 0 | 0 | 1 |
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Nos slides: 2–9 (conceitos), 21 (propriedades da transposta). Treino: FICHA1 ex. 1, 6 e 8; Tarefa 1 (parte das expressões com transposta).
2) Operações: soma, escalar e produto
Soma e subtração
Só entre matrizes do mesmo tipo; soma-se entrada a entrada.
2 −1 0 3
1 1 4 −2
3 0 4 1
Matrizes de tipos diferentes não se podem somar nem subtrair.
Produto por um escalar
αA multiplica todas as entradas por α. Exemplo com α = −2:
2 −1 0 3
−4 2 0 −6
Produto de matrizes (linha × coluna)
- Condição: nº de colunas de A = nº de linhas de B. Se não for,
ABnão existe. - Tipo do resultado: linhas de A × colunas de B.
- Cada entrada
(i, j)= (linha i de A) · (coluna j de B): multiplica-se entrada a entrada e soma-se.
Exemplo com as matrizes A e B:
1 −1 2 3
2 0 1 4
1 −4 7 12
2 −2 9 11
AB ≠ BA. Quando por acaso dá igual, diz-se que A e B são permutáveis.
Outras propriedades úteis:
(AB)C = A(BC)(associatividade) eA(B + C) = AB + AC;A·Iₙ = AeIₙ·A = A(a identidade não muda nada);- Potências (só fazem sentido em matrizes quadradas):
A² = A·A,A³ = A·A·A, … - Propriedades das potências (slide 20):
Aᵏ·Aˡ = Aᵏ⁺ˡ;(Aᵏ)ˡ = Aᵏˡ; e(AB)ᵏ = Aᵏ·Bᵏsó se A e B forem permutáveis.
Multiplicar com letras — a receita que faltava
Não há nada de novo: é exatamente a mesma regra linha × coluna. As letras comportam-se como números que não conhecemos; o que não se pode é "somar letras diferentes" — a + b fica a + b.
Exemplo com as matrizes M e F:
a 2 1 b
1 0 3 c
a+6 2c 1+3b bc
Repara: a·0 = 0 e esse 0 desaparece na soma; 2·c = 2c fica assim mesmo.
💡 É a mesma conta do visualizador: lá vês os passos com números, um a um; aqui, com letras, o resultado fica "por simplificar".
1. Calcula este produto.
0 1 1 0
0 1 1 0
Ver resposta
1 0 0 1
2. Quanto é a entrada (2,1) deste produto?
2 0 1 3
1 1 0 2
Ver resposta
3. Existe este produto? Se sim, que tipo tem?
1 2 3 4
5 6
Ver resposta
17 39
Nos slides: 10–21. Treino: FICHA1 ex. 2, 3 e 4 (com números) e ex. 5.1 e 5.2 (com incógnitas). No visualizador: modo «Visualizador» e depois «Praticar».
3) De igualdade de matrizes para equações (o método do ex. 11)
Se duas matrizes são iguais, então entrada a entrada são iguais. Isso transforma uma igualdade de matrizes num sistema de equações.
- Escrever a definição (exemplo:
A·A⁻¹ = I₃); - Ver em que entradas do produto aparecem as incógnitas;
- Calcular só essas entradas (linha × coluna — secção 2);
- Igualar às entradas correspondentes de
Iₙ— ⚠️ diagonal = 1, fora da diagonal = 0; - Resolver e responder ao pedido (por exemplo, se pedem
a+b, a resposta éa+b).
Exemplo guiado (foi o ex. 11): a matriz A é
1 1 0 3 1 1 2 1 1
a 1 b
Como A·A⁻¹ = I₃, calculamos as três entradas da coluna 3 do produto (linha de A · coluna 3 de A⁻¹):
Resolução: da 1.ª equação vem a = −1. Substituindo na 2.ª: −3 + b + 1 = 0, logo b = 2. A 3.ª é uma entrada da diagonal — tem de dar 1, e dá: −2 + 2 + 1 = 1 ✓. Resposta: a + b = 1.
- Pôr 0 onde a identidade tem 1: a coluna 3 de I₃ é (0, 0, 1) — só a última entrada é 1;
- Esquecer o que é pedido: o exercício pedia
a+b— não bastava acharaeb.
Atalho importante: se uma matriz é simétrica (A = Aᵀ), então aᵢⱼ = aⱼᵢ — igualam-se as entradas "espelhadas". É o que se usa no ex. 6 da FICHA1.
1. A entrada (2,1) de I₄ é 1 ou 0?
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2. Se a coluna 1 de X é (x, y) e a linha 2 de A é (2, 5), e a entrada (2,1) de A·X tem de dar 0, que equação escreves?
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3. Resolve (a incógnita é x e y):
x 1 2 y
1 1
3 4
Ver resposta
Nos slides: 8 (igualdade). Treino: refazer o ex. 11 do zero e FICHA1 ex. 6.
4) Matriz inversa (pela definição)
A quadrada é invertível (regular, não singular) se existir uma matriz B com
A·B = Iₙ = B·A
e escreve-se B = A⁻¹. Se existir, a inversa é única. Se não existir, A diz-se singular.
A·A⁻¹ e A⁻¹·A: os dois produtos têm de dar Iₙ.
Curiosidade (slide 27): em matrizes quadradas, basta um dos produtos dar Iₙ para a inversa ficar garantida — mas conferir os dois nunca faz mal.
Exemplo 9 (slide 25): confirmar que B é a inversa de A — multiplica-se e vê-se que dá I₂:
2 −5 −1 3
3 5 1 2
Método pela definição (slide 29, Exemplo 10): encontrar A⁻¹ da matriz A:
2 0 1 1
a b c d
Resolve-se A·A⁻¹ = I₂:
2 0 1 1
a b c d
2a 2b a+c b+d
1 0 0 1
Entrada a entrada (linha × coluna), igualando a I₂:
Solução:
1/2 0 −1/2 1
Verificação: A·A⁻¹ = I₂ e A⁻¹·A = I₂ ✓ (podes refazer a multiplicação para confirmar).
- ⚠️
(AB)⁻¹ = B⁻¹A⁻¹— troca a ordem (não éA⁻¹B⁻¹); (A⁻¹)⁻¹ = A;(Aᵀ)⁻¹ = (A⁻¹)ᵀ;(kA)⁻¹ = (1/k)·A⁻¹(comk ≠ 0).
Dois nomes dos slides (26): uma matriz é ortogonal se A⁻¹ = Aᵀ; e A e B dizem-se semelhantes se existir uma matriz invertível P tal que A = P⁻¹BP.
Quer-se mostrar que A⁻¹ = A² − 3A + 3I₃. Receita: calcular o lado direito e mostrar que A · (lado direito) = I₃ — se der a identidade, esse resultado é a inversa (a inversa é única).
1 1 0 0 1 1 0 0 1
A² = A·A:A² =1 2 1 0 1 2 0 0 1
- Substituir em
A² − 3A + 3I₃(entrada a entrada; exemplo (1,2): 2 − 3 + 0 = −1):=1 −1 1 0 1 −1 0 0 1
- Confirmar
A · (resultado) = I₃: (1,1): (1, 1, 0)·(1, 0, 0) = 1 ✓; (1,2): (1, 1, 0)·(−1, 1, 0) = −1 + 1 = 0 ✓; as restantes dão o esperado.
Conclusão: o lado direito multiplicado por A dá I₃, logo é a inversa de A. ∎ (Treina-o do zero no papel — é o ex. 15.)
1. Se C = B⁻¹, quanto é B·C?
Ver resposta
2. Quanto é (A·B)⁻¹?
Ver resposta
3. Verifica que este produto dá I₂:
2 0 1 1
1/2 0 −1/2 1
Ver resposta
Nos slides: 24–29. Treino: FICHA1 ex. 9, 10 e 12 (inversa pela definição — o 12.1 é um bom primeiro) e o desafio do ex. 15 acima.
5) ∼ e condensação — [A|Iₙ] ∼ [Iₙ|A⁻¹] (o grande pendente)
∼ não é igualdade! Escreve-se A ∼ B quando B se obtém de A com um número finito de operações elementares. É o "verbo" das transformações — as operações escrevem-se por baixo do ∼.
lᵢ ↔ lⱼ— trocar duas linhas de posição;αlᵢ— multiplicar uma linha porα ≠ 0;lᵢ + βlⱼ— substituir a linha i pela soma dela com a linha j multiplicada por β.
⚠️ α nunca é 0: multiplicar uma linha por 0 destrói informação.
Exemplo pequeno (Ex. 8 dos slides) — uma transformação por passo:
0 2 2 −6 3 4
2 −6 0 2 3 4
2 −6 0 1 3 4
Ou seja, A ∼ B — a última matriz é a B do enunciado.
O método da condensação
[A | Iₙ] ∼ [Iₙ | A⁻¹]
- Junta-se A à identidade, formando a matriz ampliada
[A | Iₙ]; - Cada operação aplica-se à linha inteira — lado esquerdo E lado direito;
- O objetivo é transformar o bloco da esquerda na identidade;
- Quando se consegue, o bloco da direita é A⁻¹. No fim, verificar:
A·A⁻¹ = Iₙ.
Exemplo guiado completo — calcular a inversa da matriz A:
1 2 3 4
1 2 | 1 0 3 4 | 0 1
1 2 | 1 0 0 −2 | −3 1
1 2 | 1 0 0 1 | 3/2 −1/2
1 0 | −2 1 0 1 | 3/2 −1/2
Resultado:
−2 1 3/2 −1/2
Verificação: A·A⁻¹ = I₂ ✓ (refaz a multiplicação para confirmar).
O exemplo da aula (Exemplo 11, slides 30–31): a mesma técnica numa matriz 3×3 — vai com calma, um passo de cada vez:
1 0 1 2 2 2 −1 0 0
1 0 1 | 1 0 0 2 2 2 | 0 1 0 −1 0 0 | 0 0 1
1 0 1 | 1 0 0 0 2 0 | −2 1 0 −1 0 0 | 0 0 1
1 0 1 | 1 0 0 0 2 0 | −2 1 0 0 0 1 | 1 0 1
1 0 1 | 1 0 0 0 1 0 | −1 1/2 0 0 0 1 | 1 0 1
1 0 0 | 0 0 −1 0 1 0 | −1 1/2 0 0 0 1 | 1 0 1
Resultado:
0 0 −1 −1 1/2 0 1 0 1
Verificação (uma entrada à escolha): (2,2) de A·A⁻¹ — linha 2 de A · coluna 2 de A⁻¹: (2, 2, 2)·(0, 1/2, 0) = 1 ✓
Se numa linha do bloco esquerdo aparecerem só zeros, A é singular (não tem inversa). Exemplo com a matriz B:
1 2 2 4
1 2 | 1 0 2 4 | 0 1
1 2 | 1 0 0 0 | −2 1
Linha nula à esquerda → não existe inversa.
- Escrever
=em vez de∼; - Mudar só o lado esquerdo — a operação é na linha inteira, dos dois lados;
- Usar
α = 0; - Ler a inversa antes de o bloco esquerdo estar na forma da identidade.
1. Condensa esta matriz até encontrar A⁻¹ e verifica no fim.
3 1 2 1
Ver resposta
3 1 | 1 0 2 1 | 0 1
1 1/3 | 1/3 0 2 1 | 0 1
1 1/3 | 1/3 0 0 1/3 | −2/3 1
1 1/3 | 1/3 0 0 1 | −2 3
1 0 | 1 −1 0 1 | −2 3
Resultado:
1 −1 −2 3
Verificação: A·A⁻¹ = I₂ ✓
Nos slides: 22–23 (operações e ∼) e 30–31 (método, Exemplo 11). Treino: FICHA1 ex. 13.1 e 13.2 (solução na ficha, entre parênteses); Tarefa 1 (ex. 1.2 e 2.1).
6) Equações matriciais — resolver em ordem à incógnita (matéria de 16/10)
Uma equação matricial é uma equação cuja incógnita é uma matriz (X, E, …). Resolver = isolar essa matriz — é uma equação de 1.º grau, mas com duas regras novas. Apoia-se na secção 2 (produto) e na secção 4 (inversa).
- Não existe quociente de matrizes.
X = B/A✗. O papel da divisão é feito pela inversa; - Multiplica-se nos dois lados, na mesma posição: se
A = B, entãoCA = CB(à esquerda) eAC = BC(à direita); - A inversa vai para o lado onde a matriz estava: a ordem não se troca (
AB ≠ BA).
A tabela de referência (como isolar)
Na prática: 1) vê quais as matrizes agarradas à incógnita e de que lado estão; 2) multiplica os dois lados pela inversa, do mesmo lado, até a incógnita ficar sozinha; 3) no fim, verifica substituindo na equação (quando as matrizes são conhecidas).
Exemplo 12 (slide 33) — é também o ex. 16.2 da ficha
Resolver A⁻¹·X·B = I:
Com as matrizes do enunciado (as mesmas do ex. 16), o resultado é o do ex. 16.2:
−1 1/2 −7 11/2
O truque do ex. 14: multiplicar por E à esquerda = mexer nas linhas de A
Regra geral (confere nos exemplos de baixo): a linha i de E·A é a "receita" (linha i de E) aplicada às linhas de A:
Dois casos do ex. 14 (a "receita" de E lê-se linha a linha):
Exemplo pequeno com a troca:
0 1 1 0
1 2 3 4
3 4 1 2
O ex. 14 da FICHA1 — resolvido dos dois jeitos
3 4 1 2 −7 −1 8 1 5
8 1 5 2 −7 −1 3 4 1
3 4 1 2 −7 −1 2 −7 3
(o D não é usado em nenhuma alínea.) Receita rápida: compara as linhas do resultado com as de A, descobre a operação, e aplica a mesma operação ao I₃ — dá logo o E.
14.1 E·A = B — B tem as linhas de A por ordem 3, 2, 1 → é a troca l₁↔l₃:
0 0 1 0 1 0 1 0 0
14.2 E·B = A — o mesmo, ao contrário: trocar duas vezes volta ao início (a troca é a sua própria inversa) → é a mesma E do 14.1.
14.3 E·A = C — só a linha 3 muda: (2, −7, 3) = (8, 1, 5) − 2·(3, 4, 1) → l₃ ← l₃ − 2l₁:
1 0 0 0 1 0 −2 0 1
14.4 E·C = A — também só a linha 3: (8, 1, 5) = (2, −7, 3) + 2·(3, 4, 1) → l₃ ← l₃ + 2l₁:
1 0 0 0 1 0 2 0 1
A ficha imprime E = [1 0 0; 0 1 0; 2 0 0]. Com esse 2 0 0, a linha 3 de E·C dá (6, 8, 2) — ficava só 2·l₁, sem juntar a l₃. O correto é 2 0 1 (dá (8, 1, 5) = linha 3 de A ✓). Se a professora escrever 2 0 0, é gralha da ficha.
Formalmente: E·A = B ⇒ E = B·A⁻¹ (multiplica-se à direita pela inversa do A, como na tabela). Resulta sempre, mas aqui daria contas com frações feias — por isso o exercício foi feito para se "ver" a operação nas linhas. As duas respostas são a mesma matriz.
X = B/A— não existe divisão de matrizes;- Trocar o lado:
E·A = BdáE = B·A⁻¹, nuncaA⁻¹·B; - Multiplicar só num dos lados (tem de ser nos dois);
- Confundir os papéis: E à esquerda → mexe nas linhas de A; se E estivesse à direita (
A·E), mexia nas colunas; - Não responder ao pedido: a resposta é
X = …/E = ….
1. Em A·X = B, como se isola o X?
Ver resposta
X = A⁻¹·B.2. E em X·A = B?
Ver resposta
X = B·A⁻¹ (o A estava à direita do X).3. E em A·X·B = C?
Ver resposta
X = A⁻¹·C·B⁻¹ — um lado de cada vez (primeiro o A, à esquerda; depois o B, à direita).4. Que operação faz este E às linhas de uma matriz?
1 0 1 1
Ver resposta
l₂ + l₁: E faz l₂ ← l₂ + l₁. Ex.: E·[1 2; 3 4] = [1 2; 4 6].5. Descobre o E: E·C = A com
3 4 5 6
3 4 11 14
Ver resposta
l₂ ← l₂ + 2l₁, logo E = [1 0; 2 1]. (Mesmo espírito do 14.4.)Nos slides: 32–33 (equações matriciais); 13 e 19 (o produto não comuta); 21 e 27–28 (propriedades da transposta e da inversa). Treino: ex. 14 (resolvido acima, dos dois jeitos); ex. 16.1–16.5 e 17 na oficina (grupos F e G), com os passos todos.
7) Oficina de treino — 17 exercícios com solução passo a passo
Como usar: papel primeiro — resolve como se fosse na ficha; só depois abre a solução e compara passo a passo. Algo falhou? Escreve ao lado qual foi o passo, e repete o exercício amanhã.
Os exercícios 🎯 são da FICHA1 (a ficha também tem as soluções, entre parênteses; aqui ficam os passos todos). Os outros dois são treino extra, com os mesmos padrões.
Grupos: A · Multiplicação (números) · B · Multiplicação com incógnitas · C · Igualdade → equações · D · Inversa pela definição · E · Condensação · F · Equações matriciais · G · Desafios
A) Multiplicação de matrizes (aquecimento)
A1 🎯 (ex. 4 da ficha). Determina o produto A·B·C·D, onde:
3 5 7
213 510 128
3 −1 −1
1 −2 1
Ver solução passo a passo
1. Tipos: A é 3×1, B é 1×3, C é 3×1, D é 1×3 — as dimensões internas casam todas, o produto existe.
2. Truque: a associatividade deixa escolher a ordem. Começa por B·C (1×3 · 3×1 = 1×1, um escalar):
3. Então ABCD = A·(B·C)·D = 1·(A·D) = A·D. E A·D é imediato (cada linha de A multiplicada por (1, −2, 1)):
3 −6 3 5 −10 5 7 −14 7
É o resultado da ficha ✓. Lição: quando um produto do meio dá um escalar, o produto todo colapsa num múltiplo — vale a pena procurar o escalar primeiro.
A2 (extra). Calcula A·B e B·A e compara os tipos:
1 2 3 0 −1 1
2 0 1 −1 3 2
Ver solução passo a passo
A·B (2×3 · 3×2 → 2×2):
13 4 2 3
B·A (3×2 · 2×3 → 3×3):
2 4 6 1 3 2 3 4 11
Moral: AB ≠ BA — aqui nem sequer têm o mesmo tipo (2×2 vs 3×3).
B) Multiplicação com incógnitas
B1 🎯 (ex. 5.1 da ficha). Determina os reais a, b, c:
a b c
1 2 1 0 1 2 0 0 1
0 0 1
Ver solução passo a passo
O produto é 1×3: calcula-se coluna a coluna (linha [a b c] · cada coluna da matriz):
Resposta: a = 0, b = 0, c = 1 (bate com a ficha ✓).
Verificação: [0 0 1]·(matriz) = linha 3 da matriz = (0, 0, 1) ✓ — multiplicar por um vetor com um único 1 "escolhe" a linha correspondente.
B2 (extra). Determina x e y:
x y
2 1 1 3
4 7
Ver solução passo a passo
Da 1.ª: y = 4 − 2x. Na 2.ª: x + 3(4 − 2x) = 7 ⇒ x + 12 − 6x = 7 ⇒ −5x = −5 ⇒ x = 1, logo y = 2.
Verificação: [1 2]·[2 1; 1 3] = [2 + 2, 1 + 6] = [4 7] ✓
C) Igualdade de matrizes → equações
C1 🎯 (ex. 6 da ficha). Determina a, b, c para os quais a matriz é simétrica:
1 a + b a − b 3 2 c + a −1 2 5
Ver solução passo a passo
Simétrica = cada entrada igual à "espelhada" (aᵢⱼ = aⱼᵢ):
Somando as duas primeiras: 2a = 2 ⇒ a = 1; então b = 2 e c = 2 − 1 = 1.
Resposta: a = 1, b = 2, c = 1 ✓ (ficha). Verificação: fica A = [1 3 −1; 3 2 2; −1 2 5] — espelhada, igualzinha.
C2 🎯 (ex. 8 da ficha). A matriz é antissimétrica; determina (x + y + z)/(a + b + c):
a + 4 x y a b + 2 z b c 2c − 8
Ver solução passo a passo
1. A diagonal é 0 (porque aᵢᵢ = −aᵢᵢ ⇒ 2aᵢᵢ = 0):
2. Fora da diagonal, cada entrada é o simétrico da espelhada (aᵢⱼ = −aⱼᵢ):
3. O que é pedido: (x + y + z)/(a + b + c) = (4 + 2 − 4)/(−4 − 2 + 4) = 2/(−2) = −1 ✓ (ficha).
D) Inversa pela definição
D1 🎯 (ex. 10 da ficha). Verifica que B = A⁻¹:
3 5 1 2
2 −5 −1 3
Ver solução passo a passo
Basta mostrar A·B = I₂ (em matrizes quadradas, um produto já garante — slide 27; mas conferimos os dois):
Dá I₂ nos dois sentidos → B = A⁻¹ ✓ (ficha).
D2 🎯 (ex. 12.1 da ficha). Determina a inversa pela definição:
1 2 3 −1
Ver solução passo a passo
1. Escrever a incógnita: A⁻¹ = [a b; c d].
2. A·A⁻¹ = I₂, entrada a entrada (linha × coluna):
3. Resolver: de (2,1), c = 3a; em (1,1): a + 6a = 1 ⇒ a = 1/7, logo c = 3/7. De (1,2), b = −2d; em (2,2): −6d − d = 1 ⇒ d = −1/7, logo b = 2/7.
1/7 2/7 3/7 −1/7
Verificação: A·A⁻¹ = I₂ ✓ — (1,1): 1/7 + 6/7 = 1; (1,2): 2/7 − 2/7 = 0; (2,1): 3/7 − 3/7 = 0; (2,2): 6/7 + 1/7 = 1. É a resposta da ficha ✓
E) Condensação: [A | Iₙ] ∼ [Iₙ | A⁻¹]
E1 🎯 (ex. 13.1 da ficha). Determina a inversa por condensação:
1 4 2 7
Ver solução passo a passo
1 4 | 1 0 2 7 | 0 1
1 4 | 1 0 0 −1 | −2 1
1 4 | 1 0 0 1 | 2 −1
1 0 | −7 4 0 1 | 2 −1
−7 4 2 −1
Verificação: (1,1): (1, 4)·(−7, 2) = −7 + 8 = 1; (1,2): (1, 4)·(4, −1) = 4 − 4 = 0; (2,1): (2, 7)·(−7, 2) = −14 + 14 = 0; (2,2): (2, 7)·(4, −1) = 8 − 7 = 1 → I₂ ✓. Bate com a ficha ✓
E2 🎯 (ex. 13.2 da ficha). O mesmo, agora 3×3 — com calma, um passo de cada vez:
1 0 1 0 1 1 1 1 0
Ver solução passo a passo
1 0 1 | 1 0 0 0 1 1 | 0 1 0 1 1 0 | 0 0 1
1 0 1 | 1 0 0 0 1 1 | 0 1 0 0 1 −1 | −1 0 1
1 0 1 | 1 0 0 0 1 1 | 0 1 0 0 0 −2 | −1 −1 1
1 0 1 | 1 0 0 0 1 1 | 0 1 0 0 0 1 | 1/2 1/2 −1/2
1 0 0 | 1/2 −1/2 1/2 0 1 1 | 0 1 0 0 0 1 | 1/2 1/2 −1/2
1 0 0 | 1/2 −1/2 1/2 0 1 0 | −1/2 1/2 1/2 0 0 1 | 1/2 1/2 −1/2
1/2 −1/2 1/2 −1/2 1/2 1/2 1/2 1/2 −1/2
Bate com a ficha ✓. Verificação (3 entradas à escolha):
F) Equações matriciais
Nos exercícios do ex. 16, as matrizes são:
0 −1 4 1
1 3 2 4
3 −1 0 2
F1 🎯 (ex. 16.1). Resolve em ordem a X:
Ver solução passo a passo
1. Isolar o X — aqui não há problema de lado: é aritmética normal (subtrair 4A, dividir por 2, um escalar):
2. Calcular BᵀA (Bᵀ = [1 2; 3 4]):
Logo BᵀA = [8 1; 16 1]; e 4A = [0 −4; 16 4], então BᵀA − 4A = [8 5; 0 −3].
3. X = ½[8 5; 0 −3]:
4 5/2 0 −3/2
Verificação: 2X + 4A = [8 5; 0 −3] + [0 −4; 16 4] = [8 1; 16 1] = BᵀA ✓ (e é a resposta da ficha ✓)
F2 🎯 (ex. 16.2 — igual ao Exemplo 12 do slide 33). Resolve em ordem a X:
Ver solução passo a passo
1. O B está à direita do X → multiplicam-se os dois lados, à direita, por B⁻¹: X = A·B⁻¹.
2. B⁻¹ por condensação:
1 3 | 1 0 2 4 | 0 1
1 3 | 1 0 0 −2 | −2 1
1 3 | 1 0 0 1 | 1 −1/2
1 0 | −2 3/2 0 1 | 1 −1/2
3. X = A·B⁻¹:
−1 1/2 −7 11/2
Verificação: X·B = [−1 1/2; −7 11/2]·[1 3; 2 4] = [0 −1; 4 1] = A ✓ (é a resposta da ficha ✓)
F3 🎯 (ex. 16.3). Resolve em ordem a X — começa por simplificar o lado esquerdo:
Ver solução passo a passo
1. Propriedade da transposta (secção 1): (M·N)ᵀ = Nᵀ·Mᵀ. Então (BᵀXᵀ)ᵀ = (Xᵀ)ᵀ·(Bᵀ)ᵀ = X·B. A equação fica:
2. A + C = [3 −2; 4 3]; e B⁻¹ = [−2 3/2; 1 −1/2] (já calculado no F2).
3. X = (A + C)·B⁻¹:
−8 11/2 −5 9/2
Resposta da ficha ✓. Verificação: (BᵀXᵀ)ᵀ − A = X·B − A = [3 −2; 4 3] − [0 −1; 4 1] = [3 −1; 0 2] = C ✓
F4 🎯 (ex. 16.4). Resolve em ordem a X — fatoriza o X:
Ver solução passo a passo
1. O X está à direita nos dois termos → fatoriza-se à direita:
(se fosse X·A + X·B, fatorizava-se à esquerda: X·(A + B).)
2. A + B = [1 2; 6 5]. A inversa, por condensação:
1 2 | 1 0 6 5 | 0 1
1 2 | 1 0 0 −7 | −6 1
1 2 | 1 0 0 1 | 6/7 −1/7
1 0 | −5/7 2/7 0 1 | 6/7 −1/7
3. X = (A + B)⁻¹·C:
−15/7 9/7 18/7 −8/7
Resposta da ficha ✓. Verificação: (A+B)·X = C — (1,1): −15/7 + 36/7 = 3 ✓; (1,2): 9/7 − 16/7 = −1 ✓; (2,1): −90/7 + 90/7 = 0 ✓; (2,2): 54/7 − 40/7 = 2 ✓.
G) Desafios (com as propriedades todas)
Estes usam as propriedades que trocam a ordem — (M·N)ᵀ = NᵀMᵀ (secção 1) e (M·N)⁻¹ = N⁻¹M⁻¹ (secção 4). Se ainda não estiverem automáticas, salta para outro dia.
G1 🎯 (ex. 16.5 — a mais difícil da ficha). Resolve em ordem a X:
Ver solução passo a passo
1. Simplificar o lado esquerdo: [X·(Aᵀ)⁻¹]ᵀ = ((Aᵀ)⁻¹)ᵀ·Xᵀ = A⁻¹·Xᵀ (o transposto de (Aᵀ)⁻¹ é A⁻¹).
2. Calcular as peças:
3. A·(BᵀA)⁻¹ = [−2 1; 3/2 −1/2]; então:
Resposta da ficha ✓. Verificação: substituindo na equação original, [X·(Aᵀ)⁻¹]ᵀ + A = (BᵀA)⁻¹ ✓ (conferido por cálculo exato).
G2 🎯 (ex. 17.1). Com A, B quadradas invertíveis e (Aᵀ − Iₙ) invertível, resolve em ordem a X:
Ver solução passo a passo
1. Desenvolver o lado esquerdo com (M·N)ᵀ = Nᵀ·Mᵀ: (XᵀA)ᵀ = AᵀX; logo (XᵀA − B)ᵀ = AᵀX − Bᵀ.
(o X da 2.ª parcela é Iₙ·X; fatoriza-se X à direita, porque em AᵀX o X está à direita.)
2. Como (Aᵀ − Iₙ) é invertível (é o dado do enunciado):
É exatamente a resposta indicada na ficha ✓
G3 🎯 (ex. 17.2). Com A e (A + B⁻¹) invertíveis (e B também), resolve em ordem a X:
Ver solução passo a passo
1. (X⁻¹B)⁻¹ = B⁻¹·(X⁻¹)⁻¹ = B⁻¹·X (propriedade (MN)⁻¹ = N⁻¹M⁻¹, e (X⁻¹)⁻¹ = X).
2. Isolar com a inversa de (A + B⁻¹), à esquerda:
É a resposta da ficha ✓
Fontes: FICHA1 ex. 4, 5.1, 6, 8, 10, 12.1, 13.1, 13.2, 16.1–16.5, 17.1–17.2 (com os passos todos aqui). A2 e B2 são extras no mesmo estilo. Queres mais volume? FICHA1 ex. 3, 7, 9, 11, 13.3 (já têm solução na ficha) e Tarefa 1.
8) Autoteste geral + os meus erros típicos
Perguntas rápidas de revisão — às da sessão de 14/10 juntaram-se 2 das equações matriciais (7 e 8):
1. Entradas (1,1) e (2,2) do produto D·E:
1 2 3 4
0 −1 4 1
Ver resposta
8 1 16 1
2. Expressão das entradas (1,1) e (2,1) do produto M·F:
a 1 2 b
2 0 1 3
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3. Em A·A⁻¹ = I₃, que valor tem de dar a entrada (2,2)? E a (1,3)?
Ver resposta
4. O que significa A ∼ B?
Ver resposta
l₁↔l₂). Não é igualdade.5. Como verificas se C = B⁻¹ sem calcular a inversa?
Ver resposta
6. A é 2×3 e B é 3×5. Existe AB? Que tipo tem? E BA?
Ver resposta
7. Em A·X = B, como se isola o X? E em X·A = B?
Ver resposta
X = A⁻¹B (inversa à esquerda) e X = BA⁻¹ (inversa à direita). Nunca trocar os lados — não existe divisão de matrizes.8. O que faz este E às linhas de uma matriz?
1 0 2 1
Ver resposta
l₂ ← l₂ + 2l₁ (a linha 2 de E = (2, 1) → combina 2·l₁ + l₂). Ex.: com [3 4; 5 6] dá [3 4; 11 14].- Pôr 0 onde a identidade tem 1 (coluna 3 de I₃ é (0, 0, 1));
- Escrever
=depois de transformar linhas — é∼; - Na condensação, mexer só num dos lados;
- Trocar a ordem:
(AB)⁻¹ = B⁻¹A⁻¹(não A⁻¹B⁻¹); - Nas equações matriciais:
X = B/Anão existe — é a inversa, do lado certo (A·X = B ⇒ X = A⁻¹B, nãoBA⁻¹); - Esquecer-se de responder ao que é pedido;
- Coluna com letra: esquecer termos como
a·0 = 0ou2c; - Falta de verificação no fim — multiplicar e confirmar
I.
9) Determinantes — calcular, poupar contas e inverter pela adjunta
O determinante é um número que se calcula a partir de uma matriz quadrada. No curso serve para duas coisas: (1) decidir se há inversa — det(A) ≠ 0 ⇔ A é invertível — e (2) calcular a inversa pela matriz adjunta (slides 58–59). Escreve-se det(A) ou |A|.
Nota: a ficha foi alargada — a versão nova tem 11 páginas e vai até ao ex. 44 (os ex. 1–20 são iguais aos da versão antiga). Os ex. 21–44 são todos de determinantes, com as soluções entre parênteses como sempre.
- Ordem 1:
det([a]) = a; - 2×2: diagonal principal − diagonal secundária:
det([a b; c d]) = ad − bc; - 3×3 — regra de Sarrus (slides 45–46): 3 produtos "para baixo" − 3 produtos "para cima" — ver o exemplo abaixo;
- 4×4 ou maior: só com Teorema de Laplace (escolher a linha/coluna com mais zeros) ou com propriedades até ficar triangular.
Sarrus, passo a passo (ex. 21.3 da ficha nova)
1 1 −3 1 0 1 −1 2 1
Menor complementar e complemento algébrico (slides 47–50)
Para o Teorema de Laplace preciso de dois objetos. O menor complementar Mᵢⱼ é o determinante que fica depois de apagar a linha i e a coluna j. O complemento algébrico (ou cofator) é esse menor com o sinal certo:
Aᵢⱼ = (−1)^(i+j) · Mᵢⱼ
⚠️ Nos slides o cofator escreve-se Aᵢⱼ (o mesmo A da matriz, com dois índices) — em alguns livros aparece como Cᵢⱼ. Os sinais seguem o tabuleiro de xadrez (o canto (1,1) é +):
Fixa-se uma linha (ou coluna) à escolha e soma-se o produto de cada entrada pelo respetivo complemento algébrico:
det(A) = aᵢ₁·Aᵢ₁ + aᵢ₂·Aᵢ₂ + … + aᵢₙ·Aᵢₙ (fixando a linha i)
💡 Escolhe sempre a linha/coluna com mais zeros — os termos com entrada 0 desaparecem e a conta encolhe. É o único "segredo" do Laplace.
Laplace numa 4×4 — a coluna com um só número (ex. 22.1)
18 23 34 2 5 2 1 0 0 0 3 0 1 2 −1 0
As propriedades que poupam contas (slides 55–57)
|Aᵀ| = |A|— trocar linhas por colunas não muda nada;- linha (ou coluna) nula ⇒
|A| = 0; duas linhas proporcionais ⇒|A| = 0; - triangular ou diagonal ⇒ produto da diagonal principal (inclui
|Iₙ| = 1); - trocar duas linhas ⇒ o determinante muda de sinal:
|B| = −|A|; - multiplicar uma só linha por k ⇒
|B| = k·|A|; - somar a uma linha um múltiplo de outra ⇒
|B| = |A|(não muda); |kA| = kⁿ·|A|⚠️ — o k multiplica todas as n linhas: não ék·|A|;|AB| = |A|·|B|⇒|Aᵏ| = |A|ᵏe|A⁻¹| = 1/|A|;- invertibilidade:
A invertível ⇔ |A| ≠ 0 ⇔ car(A) = n; e|A + B| ≠ |A| + |B|.
Todas as regras valem por linhas e por colunas (por causa da 1.ª propriedade).
Inversa pela matriz adjunta (slides 58–59)
A⁻¹ = (1/|A|) · (adj(A))ᵀ
Passos: 1) calcular o |A| — se der 0, não há inversa e acabou; 2) matriz adj(A): substituir cada entrada pelo seu complemento algébrico (só isso, sem mexer nas posições); 3) transpor adj(A); 4) dividir por |A|.
⚠️ A transposição não se esquece — é ela que põe o cofator da posição (i, j) na posição (j, i) da inversa. Muitos livros já definem adj(A) transposta e escrevem A⁻¹ = adj(A)/|A|: é a mesma conta; nas aulas usa-se a versão dos slides.
2×2 é imediato: det([a b; c d]) = ad − bc e [a b; c d]⁻¹ = 1/(ad−bc) · [d −b; −c a] (diagonal trocada, sinais dos outros trocados).
Exemplo 2×2 — a mesma matriz que se condensou na secção 5 (os dois métodos têm de dar o mesmo):
1 2 3 4
O resultado é igual ao da condensação ✓ — usa o método que te der mais confiança e confirma sempre com A·A⁻¹ = I.
Treino — exercícios novos da ficha (21–44) com os passos
Papel primeiro! A ficha tem as soluções entre parênteses — usa-as só para conferir; estas caixas servem para ver os passos quando encravares. Ordem: T1–T3 cálculo direto · T4–T6 propriedades · T7 (in)vertibilidade · T8–T9 inversa pela adjunta.
T1 🎯 (ex. 23.1 e 24.1). Determinantes com incógnitas — calcular e, quando for pedido, resolver:
a−3 5 −3 a−2
a−2 1 −5 a+4
Ver solução passo a passo
23.1 — 2×2 é direto: (a−3)(a−2) − 5·(−3) = a² − 5a + 6 + 15 = a² − 5a + 21.
24.1 — igualar a zero e resolver a equação do 2.º grau:
T2 🎯 (ex. 25.1–25.3). Antes de calcular, olha para a forma — estas três dão-se logo:
1 0 0 0 −1 0 0 0 −1
0 0 0 0 1 2 0 0 0 4 3 0 1 2 3 8
1 2 7 −3 0 1 −4 1 0 0 2 7 0 0 0 3
Ver solução passo a passo
- 25.1 (diagonal): produto da diagonal:
1·(−1)·(−1) = 1; - 25.2 (linha nula): a 1.ª linha é toda de zeros ⇒
det = 0; - 25.3 (triangular superior): produto da diagonal:
1·1·2·3 = 6.
Nenhuma destas contas precisa de Laplace — a forma já deu o resultado ✓ (1, 0 e 6, como na ficha).
T3 🎯 (ex. 27.1). Há um fator comum à 1.ª linha — tira-se para fora e a conta encolhe:
3 −6 9 −2 7 −2 0 1 5
Ver solução passo a passo
É a propriedade «linha multiplicada por k». A 27.2 e a 27.3 têm zeros que também ajudam — tenta.
T4 🎯 (ex. 28, 34 e 35). Propriedades em série: só é preciso identificar a regra e multiplicar (ou dividir):
Ver soluções comentadas
Com |A| = 2, |B| = −5 e |C| = 4 (ex. 28):
- 28.1
|ABᵀC| = |A|·|Bᵀ|·|C| = 2·(−5)·4 = −40— a transposta não muda nada; - 28.2
|3B| = 3ⁿ·|B| = 3ⁿ·(−5)— ordem n ⚠️ (não é3·(−5)); - 28.3
|B²C| = |B|²·|C| = 25·4 = 100.
Com |A| = 3 e |B| = 2 (ex. 34): |AB| = 6 · |A²| = 9 · |B⁻¹A| = |A|/|B| = 3/2 · |AAᵀ| = 3·3 = 9 · |4A| = 4ⁿ·3.
Com A, B de ordem 4, |A| = −4 e |B| = −1 (ex. 35):
- 35.1
|A⁻¹| = 1/(−4) = −1/4; - 35.2
|3A| = 3⁴·(−4) = −324; - 35.3
3|A| = 3·(−4) = −12⚠️ é «3 × determinante», não|3A|— compara com a 35.2; - 35.4
|B⁵| = (−1)⁵ = −1; - 35.5
|Bᵀ| = |B| = −1; - 35.6
|A²B⁶| = |A|²·|B|⁶ = 16·1 = 16.
T5 🎯 (ex. 29). Sabendo det([a b c; d e f; g h i]) = −6, ler cada determinante novo sem calcular:
Ver soluções comentadas
- 29.1
[d e f; g h i; a b c]— as linhas rodaram: (1, 2, 3) → (2, 3, 1). Rodar as três = 2 trocas = sinal não muda →−6. ⚠️ Não é «uma troca» — conta sempre as trocas; - 29.2 fatores:
3na 1.ª linha,−1na 2.ª e4na 3.ª →3·(−1)·4·(−6) = 72; - 29.3 fator
−3na 1.ª linha e, na 3.ª,l₃ − 4l₂— somar múltiplo de outra linha não muda →−3·(−6) = 18.
T6 🎯 (ex. 31.3 e 31.4). Mais leitura de propriedades (agora com det = 4):
Ver soluções comentadas
- 31.3
[3a −b 2c; 3d −e 2f; 3g −h 2i]: fatores por colunas —3na 1.ª,−1na 2.ª e2na 3.ª →3·(−1)·2·4 = −24; - 31.4
[a+g b+h c+i; …]él₁ ← l₁ + l₃→ não muda →4.
T7 🎯 (ex. 32 e 33.2). «Para que valores é que admite inversa?» = det ≠ 0 (com incógnitas):
Ver solução passo a passo
32 — Laplace na 1.ª linha: det = 1·(3 − 2b) − 1·(3a − b) + 1·(2a − 1) = 2 − a − b. É invertível ⇔ 2 − a − b ≠ 0 ⇔ a + b ≠ 2.
33.2 — det = 1·(2 − 18) − 2·(6 − 6k) + 4·(9 − k) = −16 − 12 + 12k + 36 − 4k = 8k + 8. É invertível ⇔ 8k + 8 ≠ 0 ⇔ k ≠ −1.
💡 «Regular»/«invertível» = det ≠ 0; «singular» = det = 0. Em condições, responde com a condição (ex.: a + b ≠ 2), não com um número.
T8 🎯 (ex. 37.1). O método completo numa 3×3 — decidir se há inversa e calculá-la pela adjunta:
2 5 5 −1 −1 0 2 4 3
Ver solução passo a passo
1. Determinante (Laplace na coluna 3 — tem um zero e só dois termos):
2. Cofatores (tabuleiro + − + …). Dois exemplos do cálculo, depois os nove:
3. Transpor e dividir por det(A) = −1:
4. Verificação (basta uma entrada): (1,1) de A·A⁻¹ = (2, 5, 5)·(3, −3, 2) = 6 − 15 + 10 = 1 ✓
T9 🎯 (ex. 43.4, bónus). Na ficha pede-se só três entradas de B⁻¹ — mas com o método completo dá-se tudo de uma vez. Com B = [1 1 5; 0 2 0; 2 −1 1]:
Ver solução passo a passo
1. det(B) — Laplace na 2.ª linha (dois zeros): só sobra o 2 da entrada (2,2):
2. Cofatores → transpor → dividir:
Verificação rápida: B·B⁻¹ na posição (2,2) — (0, 2, 0)·(1/3, 1/2, −1/6) = 1 ✓
- Esquecer o sinal do complemento algébrico
(−1)^(i+j)— usa o tabuleiro + − + …; - Confundir
|kA| = kⁿ·|A|comk·|A|— na ficha, compara a 35.2 com a 35.3; - Pensar que
det(A + B) = det(A) + det(B)— não é (só o produto tem regra bonita); - Contar mal as trocas de linhas: 1 troca muda o sinal; rodar as 3 linhas (2 trocas) não muda;
- Na adjunta: esquecer de transpor ou de dividir por
det(A); - Responder «a = …» quando o pedido é uma condição (ex.:
a + b ≠ 2,b ≠ 5a); - Atacar a inversa de uma matriz singular: testa o
detprimeiro (se der 0, acabou).
1. Calcula det([2 1; −3 4]).
Ver resposta
2·4 − 1·(−3) = 8 + 3 = 11.2. Por que fila farias o Laplace de [0 2 0; 3 1 4; 5 7 2]? E quanto dá?
Ver resposta
(−1)^(1+2): det = −2·det([3 4; 5 2]) = −2·(6 − 20) = 28.3. A é de ordem 3 e det(A) = 5. Quanto vale det(2A)?
Ver resposta
det(2A) = 2³·5 = 40 ⚠️ — não é 10: o 2 multiplica as 3 linhas.4. Inverte pela adjunta: B = [3 1; 2 4].
Ver resposta
det = 12 − 2 = 10; cofatores 4 e −2, −1 e 3; B⁻¹ = (1/10)·[4 −1; −2 3].Nos slides: 43–57 (determinantes) e 58–59 (inversa por determinantes). Treino: FICHA1 nova (11 páginas, ex. 21–44), toda com solução entre parênteses — aqui ficaram os passos dos ex. 21.3, 22.1, 23.1, 24.1, 25, 27.1, 28, 29, 31.3–31.4, 32, 33.2, 34, 35, 37.1 e 43.4. Ainda não estão no manual: característica (ex. 18–20) e SEL.
Feito nas sessões de estudo de 14, 16 e 17/10/2026 · Parte 1 + determinantes (slides 1–59) · v7: nova secção 9 (determinantes e inversa pela adjunta, com os ex. 21–44 da ficha nova) — secções 1–8 iguais à v6.
Ficheiros: slides, FICHA1 (nova, 44 ex., soluções entre parênteses), Tarefa 1, visualizador de multiplicação, ESTUDO.md.